Crescem os ataques de ódio no Brasil

Na noite de terça-feira (9) um estudante da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que vestia um boné do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) foi brutalmente agredido em frente à universidade, em Curitiba. Os agressores gritavam o nome do candidato de extrema direita e atacaram o estudante com garrafadas de vidro na cabeça. Eles também quebraram vidros da Casa do Estudante de Curitiba (CEUC). Longe de ser exceção, ataques de ódio movidos por posições políticas conservadoras têm se tornado regra nas universidades e nas ruas brasileiras.

Na Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), por exemplo, a Associação de Docentes da instituição (Adufpel – Seção Sindical do ANDES-SN), denunciou uma ameaça recebida pelo docente Luciano Agostini. Ele recebeu em e-mail "anônimo", com assinatura falsa, ameaças de uma pessoa que afirma estar envolvida “diretamente na campanha” do mesmo candidato. Na mensagem, a ameaça cita uma suposta “campanha comunista” que o professor estaria fazendo na Universidade. O remetente ainda diz que o próprio candidato está ciente da situação e que, caso eleito, “a teta vai secar e o governo não irá mais financiar pesquisas inúteis”.

Diante da gravidade da situação, o docente, que está em atividade fora do Brasil, encaminhou denúncia aos órgãos competentes da Ufpel. Em memorando enviado à reitoria, salienta a gravidade da denúncia. “Além de ameaçar a mim, enquanto professor da instituição, também faz uma ameaça ampliada para toda a instituição”, pontua. O professor também afirma que nunca fez propaganda eleitoral dentro da instituição, além de nunca ter utilizado material de campanha de qualquer candidato.

Já na Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), a Associação Docente (Adunemat – Seção Sindical do ANDES-SN) divulgou nota de repúdio aos sucessivos ataques que docentes, servidores e estudantes apoiadores da democracia têm sofrido nas dependências da instituição. Segundo a Adunemat-SSind, há uma série de hostilizações, repressões e ameaças praticadas por pessoas que se assumem como apoiadoras da extrema direita.

Também no Mato Grosso, o muro do Instituto de Linguagens da Universidade Federal (UFMT) foi pichado com uma suástica e uma referência ao candidato de extrema direita. Na Universidade Estadual do Maranhão (Uema), apoiadores de extrema direita entraram na universidade na terça-feira (9) gritando o nome do candidato, arrancando cartazes das paredes e cometendo violências simbólicas e efetivas.

Fora dos muros das universidades, uma estudante lésbica foi agredida por três homens na Cidade Baixa, bairro central de Porto Alegre (RS). Ela usava uma camiseta com a expressão “Ele Não” na noite de segunda-feira (8), os agressores teriam questionado sobre o motivo do uso da camiseta e a atingiram com socos. Na sequência, enquanto dois deles seguraram a vítima, o terceiro fez riscos com um canivete, similares a uma suástica, na região da barriga da jovem. A cruz suástica é símbolo do regime nazista alemão.

Em nota divulgada na quinta-feira (11), o ANDES-SN resgata outros casos de agressões iniciados logo após o término do primeiro turno das eleições. “O ódio e as práticas fascistas invadem as universidades colocando a vida de docentes, discentes, de Técnicos Administrativos/Universitários e do(a)s trabalhadore(a)s terceirizado(a)s”, denuncia a nota.

Para o ANDES-SN, o discurso de ódio e as práticas fascistas tentam intimidar o Movimento Estudantil, Movimento Sindical e o direito da comunidade acadêmica se posicionar politicamente. “O uso da violência tem por objetivo calar a voz dos movimentos sociais e da esquerda no Brasil”, afirma a nota.

“Nós da Direção do ANDES-SN repudiamos esses atos de violência e cobraremos a apuração via nossas Seções Sindicais das agressões motivadas por esses grupos, como também da responsabilização destes pela depredação da Universidade Pública”, conclui.

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Com informações de DCE UFPR, Adufpel-SSind e Adunemat-SSind. Imagens de DCE UFPR e redes sociais.

 

Fonte: ANDES-SN

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