Mais artigos Gerais

Movimentos sociais questionam legado dos Jogos Olímpicos

 
Segundo os ativistas, esses projetos não conseguirão dar mais qualidade de vida à população mais pobres
(Foto - Fernando Frazão/Agência Brasil)

 Representantes de universidades e movimentos sociais que participam da Jornada de Lutas Contra Rio 2016, os Jogos da Exclusão, criticaram nessa terça-feira (2) o que o Poder Público considera legado da Olimpíada, como as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), os corredores de ônibus BRT e a remodelação da zona portuária do Rio de Janeiro. Segundo os ativistas, esses projetos não conseguirão dar mais qualidade de vida à população mais pobre, que vive nos bairros mais afastados.

O evento de contraponto aos Jogos Rio 2016 ocorre até o dia 5 (sexta-feira) no Largo de São Francisco, em frente ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde foi montado um palco e construída uma simulação de pista de corrida, com exposição de destroços de comunidades removidas recentemente para dar lugar às obras olímpicas.

“Em detrimento dos programas sociais, os acordos com as grandes empresas foram mantidos na Olimpíada. Mas cadê o projeto de urbanização das favelas, que foi prometido? Onde está o projeto de despoluição da Baía de Guanabara? Os projetos que beneficiariam a população foram abandonados, em troca dos acordos com os grandes grupos econômicos e as empreiteiras. Isso tudo demonstra que a Olimpíada é um grande negócio”, criticou o professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano da UFRJ Orlando Santos.

Segundo ele, a maior parte das obras para a Olimpíada valorizou poucas regiões da cidade e acabou empurrando a população mais pobre para ainda mais longe.

“É preciso desconstruir essa ideia de legado, que é uma palavra mágica capaz de legitimar um projeto que não teve nenhuma discussão e nenhuma transparência. A gente percebe que a prioridade dos investimentos foi em três áreas da cidade: zona sul, área portuária e Barra da Tijuca. Tem um processo de elitização desses mesmos espaços, com a realocação das classes populares que habitavam esses lugares para a periferia. Um projeto que reproduz o modelo segregador”, destacou o professor.

Legado turístico

Mesmo obras de grande visibilidade, como o VLT, são contestadas pelos movimentos sociais, pois, segundo eles, não foram discutidas com a população e não conseguem atender à demanda real por transporte público no Rio.

“Queremos mostrar a realidade na cidade que está recebendo os Jogos Olímpicos. Eles poderiam ter sido realmente um fator de desenvolvimento da cidade, uma melhoria na vida dos moradores, mas a gente percebe que nenhum legado efetivo vai deixar. O VLT é um legado aparente, é um Veículo Leve para Turistas. Não tem nenhuma utilidade para o cidadão comum no centro, a não ser para os turistas”, disse o coordenador da Central dos Movimentos Populares, Marcelo Edmundo.

 Fonte: Brasil de Fato/Texto - Vladimir Platonow/ Agência Brasil 

 

Argentina: professores fazem paralisação nacional por aumento de salários e contra cortes de Macri

Cerca de 30 mil docentes fizeram passeata, em Buenos Aires, até a sede do Ministério da Educação; segundo sindicato nacional, adesão chegou a 95%. Professores universitários e do ensino básico público e privado da Argentina realizaram nesta segunda-feira (4) uma paralisação nacional para pleitear aumento de salários e protestar contra cortes e ajustes feitos pelo governo do presidente Mauricio Macri. 

Segundo o jornal argentino Pagina/12, cerca de 30 mil pessoas participaram da marcha que reuniu docentes filiados a diversos sindicatos locais e nacionais em Buenos Aires, capital do país, em direção à sede do Ministério da Educação. Os professores, que fecharam o tráfego em diversas avenidas e rodovias pelo país, protestaram também contra demissões no setor. 


“A adesão à paralisação nacional dos docentes que pedem melhorias salariais chegou aos 95% [da categoria]”, afirmou Alejandro Demichelis, secretário de imprensa da CTERA (Confederação de Trabalhadores da Educação da República Argentina).  

O governo criticou a paralisação. “A medida é excessiva, já que os prejudicados acabam sendo os alunos”, declarou o ministro da Educação, Esteban Bullrich. Mais de 3 milhões de estudantes argentinos não tiveram aula nesta segunda-feira por conta da paralisação. 

O secretário-geral da ADEMYS (Associação de Docentes da Educação Média e Superior), Jorge Adaro, criticou as declarações de Bullrich. “Existem colegas em diversas províncias que chegam a ganhar apenas 6.000 pesos [cerca de R$ 1.455] por mês”, disse Adaro. “Em vários distritos, a situação se torna cada dia mais complicada, porque os docentes não chegam ao fim do mês”. 

A mobilização também se posicionou contra o fim das negociações de um novo contrato de trabalho da categoria e contra a interrupção da investigação da morte de Carlos Fuentealba, professor de química assassinado em 2007 na província de Neuquén, no sudoeste do país. 

Fonte: Brasil de Fato

 Estudantes de SP farão denúncia na Comissão Interamericana de Direitos Humanos

Violência policial em protestos é tema de audiência em Washington, EUA

Os estudantes secundaristas de São Paulo, que ocuparam centenas de escolas em 2015 contra a reorganização escolar, denunciarão o Estado Brasileiro à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), em Washington (EUA), pela violência policial durante os protestos. A audiência está marcada para o dia 7 de abril.

Para financiar a ida à capital estadunidense, os jovens lançaram uma campanha para arrecadar fundos, disponível até domingo no site Catarse. O dinheiro viabilizará as passagens aéreas, alimentação e hospedagem de três secundaristas e uma advogada. O pedido de audiência foi protocolado pelo Comitê de Mães e Pais em Luta, em conjunto com a ONG internacional Artigo 19, e acatado pela CIDH - órgão autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA) que tem a finalidade de proteger os direitos humanos no continente.

Camila Marques, coordenadora do Centro de Referência Legal da Artigo 19, aponta que a importância da audiência é demostrar que o Estado Brasileiro está descumprindo uma série de compromissos e acordos internacionais ao cometer violações contra manifestantes. O Brasil aderiu à Convenção Interamericana de Direitos Humanos, com Pacto de San José  de Costa Rica em 1992.

"A gente busca também evidenciar para a Comissão Interamericana que essas práticas têm sido realizadas de forma sistemática; que ao invés de tentar se adequar aos organismos internacionais e efetivar o direito à liberdade de expressão, o Brasil vem aprimorando suas técnicas e seu aparato opressor", afirma a advogada, em entrevista ao Brasil de Fato,

Entre as denúncias, contidas em um dossiê com provas da violência dos policiais, estão agressões físicas e psicológicas feitas por agentes, uso desproporcional de armamento menos-letal, detenções arbitrárias contra os secundaristas que manifestavam e perseguição, vigilância e constrangimento por meio de câmeras da polícia nas escolas e nos protestos.

O estudante Francisco Braga, de 17 anos, afirmou ao Brasil de Fato que a audiência será uma forma importante de divulgar as violações que ainda ocorrem. No dia 11 de março, policiais militares entraram na Escola Estadual Marilena P. Chaparro, na Zona Oeste de São Paulo, e agrediram os alunos após uma manifestação em frente a sala da diretora. A diretora da escola foi afastada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

"É uma forma de divulgar internacionalmente o que aconteceu e ainda está acontecendo e pressionar o governo para respeitar os direitos humanos", disse Francisco. "Tem muito estudante que ainda está sendo perseguido pela polícia. Muitos estão sendo processados. É muito importante isso [a audiência] barrar as ações da polícia, que faz o que quer e, por qualquer coisa, invade escola. Tem muitos estudantes que serão julgados por desacato. A perseguição continua muito forte - algo que a Justiça permite e não deveria", denuncia o estudante.

Edição de ANDES-SN com imagem de Sinterc

Fonte: Brasil de Fato

ANDES