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Entidades farão campanha de denúncia do crime cometido em Mariana (MG)

A campanha se estenderá até março, quando está previsto evento nacional que debaterá a possibilidade de um tribunal popular, caso medidas ainda não tenham sido efetivadas para punir os responsáveis pelo crime. Um manifesto político com ações para a campanha nacional e internacional de denúncia contra as empresas mineradoras Samarco, Vale e BHP Biliton foi aprovado pelas entidades e movimentos durante Seminário Nacional em apoio aos trabalhadores e populações atingidas pela Samarco/Vale/BHP, realizado em Mariana (MG), no último dia 17.

O texto ressalta o necessário socorro às vítimas do crime e cobra a responsabilização e punição dos culpados. “Já existia um relatório que indicava os problemas estruturais dessa barragem. Esse documento foi ignorado pela Samarco/Vale/BHP. É impossível dizer que esse crime foi um acidente”, denuncia o manifesto. 

 “No ano de 2016, será importante a realização de debates sobre o tema pelos movimentos sociais, estudantis e sindicatos, uma vez que, além dos projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e que tratam da questão mineral, por exemplo, o novo marco da mineração e a mineração em terras indígenas, o Instituto Brasileiro de Mineração - associação privada representativa de empresas e instituições que atuam na indústria mineral - promoverá, com o suporte institucional, inclusive de algumas universidades federais e dos ministérios de Minas e Energia e de Ciência, Tecnologia e Inovação, o 24º World Mining Congresso, no Rio de Janeiro, entre os dias 18 e 21/10”, lembrou José Domingues de Godoi Filho, professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), que esteve em uma das mesas do debate.

Domingues contou que, como a distribuição e localização geológica dos recursos minerais e energéticos não obedecem ao arranjo geográfico e geopolítico estabelecido pela espécie humana sobre a natureza, ficou claro que a exploração e utilização de tais recursos é uma questão de poder em escala mundial. Segundo ele, as grandes potências econômicas e militares do ocidente e o Japão não possuem reservas e jazidas de mais de uma dezena de metais e de combustíveis fósseis para manterem suas indústrias e empresas, o seu aparato bélico convencional e nuclear e o consumismo exacerbado imposto pelo modo de produção capitalista. 

“O depoimento de representantes de movimentos sociais do Egito e da Síria, presentes no seminário, foi importante, nesse sentido, para também exemplificarem os prejuízos bio-sócio-econômico-ambientais que estão sofrendo, dado o massacre que os povos desses países e de todo Oriente Médio vêm sendo submetido desde a Segunda Guerra Mundial e, especialmente, a partir de 1967 com a denominada a Guerra dos Seis Dias, que explicitou a disputa por recursos energéticos”, relatou. 

Confira aqui a íntegra do documento.·.

Fonte: ANDES-SN e CSP Conlutas (com edição Adufes) 

MST ocupa latifúndio no estado do Mato Grosso

Mato Grosso é um dos estados com maior índice de concentração fundiária, o que acarreta diversos problemas sociais e ambientais.

Um grupo de 300 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupou na manhã desta segunda-feira (20) a Fazenda Mutum, localizada no município de Glória D´Oeste, em Mato Grosso, a 320 km de Cuiabá. As famílias que participam da ocupação são oriundas de diversos municípios da região Sudoeste do estado, como Salto do Céu, Araputanga, Mirassol D´Oeste, Curvelândia, entre outros.

Segundo o movimento, a área apresenta crime ambiental por desmatar uma Área de Preservação Permanente (APP) e extrair ilegalmente madeira, além de não cumprir a função social. A fazenda foi arrendada à Empresa LHS para o plantio de teca, uma árvore originária da Ásia. O MST pede a desapropriação da fazenda para a reforma agrária, que tem uma extensão de 2.600 hectares.

De acordo com nota divulgada pelo MST, Mato Grosso é um dos estados com maior índice de concentração fundiária, o que acarreta diversos problemas sociais e ambientais. Alegam ainda que a ocupação é consequência da concentração fundiária e da riqueza do estado, somado ao desemprego que avança sobre os trabalhadores.

Fazenda Nossa Senhora Aparecida

No último dia 13 de julho, aproximadamente, 600 famílias também ocuparam a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, no município de Jaciara (MT). Eles ainda permanecem na área, com 2.186 hectares, que apresenta irregularidades de títulos e responde a processo por problemas ambientais movido pelo Ministério Público Estadual.

Fonte: MST

 

Jornada Nacional de Luta das Mulheres do Campo acontece em diversos estados

Vinte estados brasileiros e o Distrito federal já foram palco, nesta semana, de mobilizações das mulheres. Os atos fazem parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres do Campo  e denunciam os impactos do modelo atual de desenvolvimento socioeconômico na vida das mulheres camponesas e na defesa da soberania alimentar, com base na Reforma Agrária. De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mais de 25 mil pessoas participam de marchas, ocupações e protestos nas rodovias durante esta semana.

No Nordeste, diversas agências bancárias foram ocupadas pelos trabalhadores na terça-feira (10), como em Maceió e municípios do Sertão, em Alagoas. Mil trabalhadores rurais do Alto Sertão ocuparam o canteiro de obras do Canal do Sertão e exigiram que a água do canal chegue a toda a população das cidades. Mulheres camponesas ocuparam a sede da superintendência do Ministério da Agricultura e denunciaram o modelo devastador de produção da cana-de-açúcar e a atual intensificação da plantação de eucalipto no estado. Em Sergipe também houve a ocupação de agências, assim como em Pernambuco e no Ceará. A sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foi ocupada por trabalhadoras no Maranhão e no Rio Grande do Norte. As camponesas reivindicaram infraestrutura, assistência técnica e capacitação técnica para as famílias assentadas. Na Bahia, 6 mil pessoas iniciaram uma marcha na segunda, que saiu de Feira de Santana, rumo a capital Salvador, e outras 150 pessoas marcharam até a sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na cidade da Vitória da Conquista. No estado do Piauí, o balão da BR-316, na cidade de Picos, se converteu numa grande escola, chamada “escola do asfalto”, com o objetivo de denunciar o sucateamento e fechamento mais de 37 mil escolas na zona rural.

No Distrito Federal, ocorreram protesto em frente ao Ministério da Agricultura, em denúncia ao agronegócio, no Ministério da Previdência Social, pelo arquivamento das Medidas Provisórias 664 e 665, e nesta quarta (11) a ocupação do Ministério das Cidades, exigindo moradia digna. Na segunda (9), em Luziânia (GO), cidade do Entorno do Distrito Federal, 800 mulheres ocuparam a multinacional Bunge, empresa de agronegócio. Ainda no Estado de Goiás, na terça (10), milhares de camponesas ocuparam a unidade da transnacional Cargill, em Goiânia, que segundo as trabalhadoras rurais, estimula o desmatamento do Cerrado, com a expansão da monocultura de soja e cana-de-açúcar. No Mato Grosso, depois de marcharem pelo município de Cáceres na manhã de segunda (9), cerca de 300 mulheres do MST ocuparam um latifúndio a 220 km de Cuiabá. Em Mato Grosso do Sul, houve ato em Campo Grande em frente à Casa da Mulher Brasileira. O protesto chamou a atenção para a violência contra a mulher.

O estado do Paraná foi palco de diversas lutas, protagonizadas pelas mulheres do campo, entre elas, a ocupação da BR-277 e da prefeitura de Cascavel, no oeste do estado, para a entrega de pautas como educação, saúde e infraestrutura. No Rio Grande do Sul, na terça, mais de 800 mulheres ocuparam a sede da multinacional israelense Adama, uma das maiores empresas de agroquímicos do Sul do país; e a sede do Incra, em Porto Alegre.  No Tocantins, manifestantes trancaram a Rodovia Belém Brasília (BR-153), na cidade de Guaraí. No Pará, na cidade de Marabá, ocorreu um encontro de formação sobre a realidade das mulheres camponesas paraenses. No domingo (8), em Belém, as camponesas realizaram junto com outras organizações feministas, uma caminhada pelas ruas contra a violência, por direitos e pelo plebiscito popular.

No Espírito Santo, centenas de mulheres realizaram uma marcha na cidade de Colatina e bloquearam a rodovia ES-259, em direção à capital. Houve também a ocupação de um latifúndio, próximo a Linhares. No Estado de São Paulo, cerca de mil mulheres do MST dos estados de SP, MG e RJ ocuparam a sede da empresa Suzano/Futura Gene, em Itapetininga (SP), dia 5, com o intuito de barrar a votação que liberaria o cultivo de eucalipto transgênico no Brasil. No Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (11), centenas de famílias camponesas participaram da ação que interditou algumas das principais rodovias no Rio de Janeiro.  Agricultores irão para a prefeitura de Macaé apresentar a pauta de reivindicação.

*Edição do ANDES-SN


Fonte: MST

ANDES