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“Escola sem partido” quer apagar Paulo Freire da educação brasileira

Um abaixo assinado online já tem as assinaturas necessárias para que o Senado Federal discuta a retirada do título de patrono da educação brasileira dado ao educador e filósofo Paulo Freire. Segundo o pedido, a filosofia de Freire “ja demonstrou em todas as avaliações internacionais que é um fracasso retumbante”[sic].

A meta inicial era atingir 20 mil assinaturas em quatro meses, número mínimo exigido para que a proposta se torne uma Sugestão Legislativa, a ser debatida pelos senadores membros da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Mas em apenas um mês, a ideia já conseguiu mais de 21 mil apoiadores.

Agora caberá aos senadores da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa debater e emitir um parecer sobre o assunto. Caso a comissão a aprove, a sugestão se torna proposição legislativa e é encaminhada à Mesa da Casa para tramitar como um projeto de lei.

A autora da proposta, Steffany Papaiano, é estudante de direito, coordenadora do movimento Direita São Paulo e apoiadora do projeto “Escola Sem Partido”, que endossa a proposta. As contas de Facebook e Twitter de Papaiano foram desativadas. No entanto, graças a seus fãs, é possível verificar na coletânea de tweets, o exemplar nível de argumentação usado em debates com figuras públicas: todas as frases terminam com variações da expressão “seu bosta”.

Em abril, a convite do deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-RJ), Papaiano participou de audiência pública para defender o “Escola sem Partido” na Câmara dos Deputados. Também foi à Assembleia Legislativa de São Paulo no ano passado para fazer lobby pela aprovação do programa no estado — sem sucesso, já que o projeto foi rejeitado.

Premiado pela UNESCO por seu trabalho pela educação brasileira, Freire foi alçado a Patrono da Educação Brasileira em 2012, por meio de lei sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff. O título lhe foi concedido após votação unânime na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, um reflexo de seu reconhecimento tanto por organizações de esquerda quanto de direita.

É o terceiro pensador mais citado atualmente em trabalhos acadêmicos no mundo, segundo levantamento feito pela London School of Economics em 2016. “Pedagogia do Oprimido” é o único título brasileiro a aparecer na lista dos 100 livros mais requisitados nas listas de leituras exigidas pelas universidades de língua inglesa.

Para conhecer melhor a obra de Paulo Freire, clique aqui e tenha acesso ao seu acervo.

À frente de seu tempo
Em um cenário de desmonte da educação pública, de reforma do Ensino Médio e de debates sobre “Escola Sem Partido”, a filosofia de Freire nunca esteve tão atual. Perseguido durante a ditadura, o filósofo via a educação como uma ferramenta de desenvolvimento e não como uma simples transferência de conhecimento.

Os que defendem o projeto de “Escola Sem Partido” alegam que estão preocupados com a capacidade do aluno de desenvolver seu próprio ponto de vista. Se esse fosse de fato o verdadeiro mote do movimento, ninguém iria querer mexer no status de Paulo Freire de patrono da educação já que, para ele, o objetivo do ensino é justamente que cada aluno cresça como um sujeito crítico, construindo sua concepção de mundo compreendendo que não há verdades absolutas, mas sim visões que devem dialogar. O pedagogo defende o diálogo como caminho e o respeito a todas as visões de mundo.

Papaiano pode não saber, mas ao defender que seus pontos de vista — de direita conservadora, como ela deixa claro neste vídeo — sejam respeitados dentro de uma sala de aula, ela está defendendo valores muito presentes na obra de Freire. Independentemente da orientação política de cada um, o que Freire postula é o respeito ao desenvolvimento do sujeito e à construção da sua opinião individual.

Por Helena Borges
Edição: The Intercept

Com assembleias e panfletagens, metalúrgicos fazem “esquenta” para o Dia Nacional de Lutas em 14/9


A campanha Brasil Metalúrgico, que reúne os principais sindicatos metalúrgicos do país, transformou esta semana num “esquenta” rumo ao Dia Nacional de Lutas, Protestos e Greves, em 14 de setembro. Estão sendo realizadas em várias fábricas, assembleias e panfletagens junto aos trabalhadores.

Os dirigentes estão distribuindo o Jornal Unificado, que aborda os ataques aos direitos e convoca o Dia 14/9, bem como estão conversando com os trabalhadores. Nas assembleias, os metalúrgicos estão aprovando a luta por aumento salarial e em defesa dos direitos (veja ao final da matéria imagens de algumas assembleias realizadas).

“Em cada fábrica, estamos vendo o quanto a categoria rejeita as reformas do governo Temer e do Congresso Nacional. Vamos à luta para conquistar aumento salarial, defender os direitos garantidos nas convenções e acordos coletivos e barrar qualquer ataque”, disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, José Dantas Sobrinho.

Unidade para barrar os ataques aos direitos

Na Campanha Salarial deste ano, os sindicatos metalúrgicos decidiram unificar a luta para barrar qualquer ataque que os patrões planejem fazer a partir da aprovação da Lei da Terceirização Irrestrita e da Reforma Trabalhista. O objetivo também é somar forças e retomar a mobilização para barrar a Reforma da Previdência, que está nos planos do governo Temer.

A iniciativa reúne os sindicatos metalúrgicos ligados à CSP-Conlutas, CNTM/Força Sindical, CNM/CUT, FEM/CUT, Federação Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais, FEMETAL Minas/CNTM, Metalúrgicos da UGT, FITMETAL/CTB e Intersindical.

O dia 14/9 será um dia de mobilizações em todas as bases metalúrgicas do país. Outras categorias também estão aprovando adesão a este dia de luta, como petroleiros, servidores públicos, metroviários e trabalhadores da construção civil.

O tipo de mobilização a ser feita vai depender da decisão de cada local, podendo ser greve de um dia, paralisação parcial, assembleia e manifestação na entrada dos turnos, manifestações, atrasos de entrada, etc. Além das ações em cada categoria, também estão sendo organizados atos unificados em cada estado ou região.

Plenária Nacional Ampliada

Já no dia 29/9 está marcada uma Plenária Nacional dos Metalúrgicos, aberta a outras categorias. O objetivo é buscar ampliar a unidade com todos os setores que tiverem disposição de lutar contra as reformas e os ataques do governo Temer e dos patrões, e definir os próximos passos da mobilização. A plenária vai ser realizada no CMTC Clube, em São Paulo.

“O dia 14 pode e deve se transformar numa luta de toda a classe trabalhadora que está vendo seus direitos e condições de vida sob ataques dos governos e dos patrões. Com unidade e mobilização podemos impedir a implementação da Reforma Trabalhista, a lei da terceirização e também barrar a Reforma da Previdência”, avalia o metalúrgico e integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates, o Mancha.

“Defendemos, inclusive, que segue sendo fundamental construir uma nova Greve Geral e fazemos um chamado à todas as centrais sindicais para derrotar as reformas e botar para fora esse governo e Congresso de corruptos”, disse Mancha.

Assembleias e panfletagens rumo ao dia 14/9

Em São José dos Campos, na quarta-feira (30), aconteceu assembleia na General Motors, onde foi discutido que não será aceita a Reforma Trabalhista e a luta será em defesa da Convenção Coletiva. Já aconteceram também assembleias na Graúna, Heatcraft, Gerdau, Armco, Blue Tech, Panasonic, Eaton, Prolind, Hitachi, TI Automotive, Ericsson, Domex, Pirâmide, Parker Filtros, Parker Hannifin, Dovale, Chery e Winnstal.

No sábado (26), mais de 100 trabalhadores portadores de doenças ocupacionais atenderam ao chamado do Sindicato e participaram de uma assembleia para discutir a Campanha Salarial deste ano e também aprovaram a luta em defesa dos direitos, até por que este é um dos setores mais atacados pela patronal, que quer por fim à cláusula da convenção da categoria que garante estabilidade no emprego.

  

No ABC, os trabalhadores da Kostal, Selco, R.Castro e Paschoal, em São Bernardo; e Marcolar, em Ribeirão Pires, também aprovaram em assembleias a mobilização no dia 14 de setembro.

  

Os metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes realizaram assembleia na Alstom e em várias empresas da base.

    
Em Minas Gerais, já houve assembleia com os trabalhadores da Sada e Rima, em Várzea da Palma, na Melt Metais e na Granha Ligas, em São João Del Rei, bem como na base em Pirapora.

  

    

Em Salvador, houve panfletagem na Paranapanema, em Caraíba, que fica no polo industrial de Camaçari

      

 

 

Teto de campus da Ueap desaba

Após queda de teto, ato pediu melhor estrutura para universidade do Amapá

Acadêmicos e professores da Universidade Estadual do Amapá (Ueap) fizeram um ato no hall da instituição nessa segunda-feira (6), no Centro de Macapá, pedindo um novo prédio e melhores condições estruturais para os estudos, principalmente para os cursos que funcionam em prédios anexos à universidade.


Na quarta-feira, 01, o teto de parte do Campus II – Graziela da Ueap -  desabou, gerando preocupação e suspensão das atividades. O campus funciona provisoriamente na Escola Graziela Reis de Souza, por conta de problemas de falta de pagamento de aluguel na sede anterior.

Danielle Dias, docente da Ueap, conta que após o desabamento do teto, um laudo pericial foi realizado, e o restante da estrutura do campus foi liberada para atividades acadêmicas. No entanto, devido às preocupações da comunidade acadêmica com a segurança da estrutura do campus, uma reunião entre as três categorias na terça (2) deliberou que ninguém voltaria às aulas até que um laudo geral fosse realizado.

“Além do problema do teto, estamos sem internet, telefone e com poucas tomadas. Nossos laboratórios estão encaixotados. Estamos amontoados dentro de uma escola profissional, porque a Ueap não conseguia pagar o aluguel da sede anterior devido à falta de repasse do governo estadual”, critica a docente. A Ueap tem recebido poucos repasses financeiros do governo amapaense, e serviços como limpeza não estão funcionando mais na instituição.

Fonte: ANDES-SN ( com ediçao Adufes)

ANDES