Novas tarifas na conta de luz: a idéia é aumentar o caixa e não conscientizar

    Para o professor da UFPE, Heitor Scalambrini, setor elétrico tem como ingredientes um modelo mercantil; Além da conta de luz, IPVA, IPTU, transporte público e água devem mexer no bolso do trabalhador 

 

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, no último dia 1, o novo sistema de bandeiras tarifárias para os consumidores de todo o Brasil. Com isso, a energia ficará mais cara para o consumidor final em tempos de escassez de chuvas, quando as usinas termoelétricas precisam ser ligadas. A novidade só não valerá para os estados do Amazonas, Amapá e Roraima.

Serão três bandeiras: a verde significa que o nível das hidrelétricas está com e a conta não sofre alterações; a amarela, que a produção de energia está ficando mais cara e o consumidor pagará R$ 1,50 a cada 100 MWh consumidos; já a vermelha é sinal de alerta e que as termoelétricas estão sendo mais usadas. Nessa bandeira o consumidor pagará mais R$ 3,00 por 100 MHw.

Em artigo, o professor da Universidade Federal de Pernambuco, Heitor Scalambrini, destaca que o sistema funcionará exclusivamente para reforçar ainda mais o caixa das distribuidoras e não para conscientizar a população. 

“Sabendo-se que o setor elétrico tem como ingredientes um modelo mercantil, uma privatização ‘sem riscos’, dirigentes incompetentes, decisões autoritárias e antidemocráticas, além da notória falta de transparência – o resultado no bolso do consumidor não poderia ser diferente”, analisou.

Scalambrini também destaca a falta de planejamento para se pensar e debater alternativas para o problema energético. “As bandeiras tarifárias estavam previstas para entrar em vigor em janeiro de 2014, mas foi postergada para janeiro de 2015. Mesmo após 12 meses de adiamento, nada foi feito para tornar esta proposta mais conhecida pela população, e mesmo discutida pela sociedade”.

A conta do mês de janeiro já virá com a bandeira vermelha e será cobrada proporcionalmente ao dia do fechamento da fatura.

Menos dinheiro no bolso

Além do novo sistema de cobrança de energia elétrica, o brasileiro terá que pagar diversos outros impostos nesse início de ano. Além do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e dá conta de água, diversas capitais já anunciaram aumentos nas tarifas de ônibus e metrô

Marcello Casal Jr/ ABr

Fonte: Brasil de FAto

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