Estudantes comemoram sucesso em pré-vestibular trans de BH

Com incentivo, alunas melhoram currículo, garantem seu lugar na faculdade e gostam mais de si mesmas. Há um ano, a TransVest recebeu indicação para o prêmio que reconhece iniciativas inovadoras.

Nesse Dia da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, Tiffany Maria de Castro vai comemorar uma vitória. Ela, que é mulher trans e pelo preconceito largou a escola no sexto ano, passou no curso de Direito do Centro Universitário UNA. Tiffany foi uma das primeiras alunas do TransVest, pré-vestibular gratuito para pessoas trans de Belo Horizonte, e encontrou nas aulas apoio para concluir o ensino médio e entrar na faculdade. 

Ela já havia tentado estudar em outras escolas, mas nunca deu continuidade. Foi no TransVest que viu seu nome social e sua identificação de gênero serem respeitados. “A expectativa de vida de transexuais [35 anos] me amedrontava, mas a aprovação me deu uma nova perspectiva”, relata a moça. Hoje ela acredita que pode incrementar cada vez mais sua formação para entrar no mercado de trabalho. 

Deu certo. O TransVest cresceu. Antes oferecia o pré-vestibular e supletivo e agora tem caráter de ONG, com assistência social e de saúde para alunas e alunos, apoio psicológico, curso de libras, inglês, espanhol, francês e italiano. Além disso, vai começar a oferecer aulas de educação física. “Foi uma coisa acima do que imaginávamos. O retorno afetivo foi espetacular, nos tornamos uma família e pudemos testemunhar como o trabalho voluntário faz bem pra alma”, revela o coordenador do projeto, Eduardo Salabert. Todos os profissionais continuam oferecendo o serviço de forma gratuita. 

Lara Volguer é outra mulher trans que mudou a relação consigo mesma a partir do incentivo do TransVest. Ela faz inglês há dois meses, e quis se qualificar para conseguir deixar a prostituição. “Nós não conseguimos trabalhos formais, só consegui um quando era gay. Me prostituo pra sobreviver. Fiz esse curso e gosto mais de mim, vejo que meu nível de cultura está melhor”, reflete.  Ela conta que largou a escola por sofrer agressões diárias e agora não quer parar de estudar.

Há um ano na capital, a ONG recebeu indicação para o prêmio Beagá Cool, que reconhece iniciativas inovadoras que fazem bem à comunidade mineira. As inscrições para o TransVest continuam a ser realizadas pelo e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. e também pela página do Facebook (www.facebook.com/transvest).

Fonte: Brasil de Fato

 

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