Vitória realizou última etapa preparatória do ENE

 O tema Gênero, Sexualidade, Orientação sexual e Questões Étnico-Raciais lotou o espaço térreo da sede da Adufes, no campus de Goiabeiras/Ufes. Veja fotos da última etapa.

A mesa de abertura contou com participação de representantes de movimentos de negros/negras, indígenas, mulheres, surdos/surdas e LGBTI que, ao final, integraram os grupos de trabalhos.  O presidente da Adufes, José Antônio da Rocha Pinto, abriu a 3ª etapa estadual do III ENE destacando as ameaças do governo Bolsonaro e a importância da resistência.

“São muitas medidas ameaçando os/as trabalhadores/as, os sindicatos e os movimentos sociais. A ofensiva tem por objetivo fragilizar nossos espaços de luta e formação, mas este governo está completamente enganado”, destacou o professor diante de uma plateia formada por cerca de 200 pessoas, a maioria de jovens. A atividade ocorreu na noite dessa quarta-feira (20).

mesa eNELuta contra o Racismo. Após a composição da mesa – com cada palestrante sendo apresentado aos presentes por quem os convidou – iniciou-se a fase preparatória ao Encontro Nacional (III ENE). A ativista sindical e cientista social, Vera Lúcia Pereira discutiu o racismo estrutural, o encarceramento e políticas para a promoção da igualdade.

De forma sucinta apresentou números mostrando que por ter a pele escura, negros/as enfrentam mais barreiras no acesso a empregos, salários e cargos de chefia. Lembrou que mais de 40% das mulheres chefiam os lares no país, sendo que a maioria é negra, recebe os mais baixos salários e ocupa serviços mais precarizados.

Ela ainda destacou o aumento do feminicídio entre as mulheres negras no Brasil. “A pobreza é feminina. Não é possível avançar na luta sem discutir o machismo, o racismo, a Lgbtfobia, por exemplo”, disse Vera Lúcia, ressaltando ainda que as mulheres - principalmente as negras - serão as mais prejudicadas com a Reforma da Previdência, caso seja aprovada.

População marginalizada. Já o professor Daniel Junqueira (surdo), do Departamento de Educação Ceunes/São Mateus, que fez sua exposição com mediação de uma interprete de libras, destacou os principais desafios da população surda. “Também queremos ter espaço nesta sociedade. Vivemos num país que diz ser democrático, que respeita a todos, mas na prática somos impedidos de trabalhar, de estudar, de viver com dignidade”. 

A política de fechamento de instituições especiais e escolas rurais pelo poder público foi alvo de crítica.  “Muitas escolas foram fechadas sob alegação de economia. Na verdade, temos um governo que não prioriza a diversidade e um currículo que não está preparado para atender o surdo, o negro, o camponês, o indígena”, desabafou indignado o docente.

Foto Ene RochaGenocídio. Desde 1500, a população indígena vem sendo exterminada no Brasil. “Fizeram os aldeamentos para ocupar nossas terras e as distribuíram aos homens brancos”, enfatizou o professor indígena Jocelino Tupiniquim.  Ele também criticou a MP 870/19 do presidente Jair Bolsonaro que, logo nos primeiros dias de governo, assinou decretos transferindo a Fundação Nacional do Índio (Funai) do Ministério da Justiça para o Ministério das Mulheres, da Família e dos Direitos Humanos, sob o comando da pastora Damares Alves.

Em seguida, a Fundação foi esvaziada pela Medida Provisória (MP) 870/19), que transferiu para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento as atribuições de identificar, delimitar e demarcar as terras indígenas.  “As demarcações precisam continuar. Chega de índios sem terra, morando em lonas”, disse Jocelino, criticando também o desmonte da educação escolar e a municipalização da saúde indígena.

LGBT. Outra questão abordava foi a luta dos LGBTs. “Sofremos vários preconceitos que começam em casa, depois na escola, no mercado de trabalho formal e até mesmo no acesso e permanência na universidade”, desabafou o diretor Marcus Loss, do DCE da Ufes.

Segundo o estudante, o discurso de ódio aos LGBTs vem ocupando vários espaços, assim como o racismo e o machismo. “É importante fortalecer a luta por políticas públicas para esta população”, ensinou.

Plateia Ene doisFeminicídio. A professora do Departamento de Serviço Social da Ufes e militante do Movimento de Mulheres em Luta (MML/ES), Juliana Melim, citou os casos de assédio na universidade. “Isso sempre existiu, mas é importante estarmos juntas e não nos calarmos”, pontuou. Segundo ela, de janeiro a março deste ano mais de 100 mulheres foram assassinadas no país.

Ao lembrar que o MML foi lançado oficialmente em março de 2018, a professora destacou a importância do movimento no fortalecimento da unidade classista. “Ressaltamos o ENE enquanto espaço para construção de uma educação crítica e a serviço dos trabalhadores e trabalhadoras”, finalizou.

Avaliação. A estudante Fabíola Oliveira, do departamento de Educação Física e Desportos, ficou impressionada com a qualidade do evento. “Conseguimos reunir um bom público para discutir temas importantes que estão diretamente ligados à educação pública. Temos tudo para avançar neste debate e fortalecermos a luta durante o III ENE, que ocorrerá nos próximos dias 12,13 e 14 de abril, em Brasília”.

Fonte: Adufes

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