No Ifes, atividades não presenciais sobrecarregam professores e excluem estudantes

Servidores aprovaram estado de greve e criaram comissão de mobilização.

Desde que as atividades pedagógicas não presenciais entraram em vigor no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), em 25 de maio, a realidade de docentes e técnicos tem sido de sobrecarga de trabalho. Já a de muitos estudantes, de exclusão. Diante disso, em assembleia realizada em oito de julho os servidores e técnicos deliberaram pelo estado de greve, além de criar uma comissão formada por servidores da base e representantes do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe).

A comissão tem como alguns de seus objetivos lutar pela suspensão da resolução 01/2020 do Conselho Superior do Ifes, que permite as atividades pedagógicas não presenciais e o mapeamento das ações de inclusão dos estudantes que o Ifes afirma estar fazendo. “Sempre nos posicionamos contrários às atividades pedagógicas não presenciais, pois o Ifes não tem estrutura para garantir educação de qualidade para todos através dessas atividades. Tem também a situação do docente. Os professores não têm formação para fazer vídeo aula, por exemplo. Além da falta de organização e planejamento, que impossibilita a gente de ter um controle da carga horária, o que tem feito a gente trabalhar muito mais do que antes”, diz o coordenador do Sinasefe, Carlos Firmino dos Santos.

Quanto aos estudantes, Carlos destaca que muitos não têm acesso à internet nem equipamentos necessários para acompanhar as aulas. Entretanto, afirma o diretor do Sinasefe, o Ifes tem divulgado que tem implementado ações de inclusão, como concessão de bolsas e aquisição de equipamentos. “A comissão que montamos vai fazer o levantamento das ações para saber se de fato elas estão chegando aos alunos de forma eficaz e se está atendendo os mais diversos grupos, como as pessoas com deficiência”, diz.

Implementação sem garantias. Carlos aponta que o Ifes implementou as atividades pedagógicas não presenciais sem fazer um levantamento das necessidades da comunidade universitária. Ele destaca que mesmo que a instituição de ensino esteja implementando ações de inclusão dos estudantes, as aulas não presenciais já estão vigor e muitos não estão tendo oportunidade de estudar. “Quais as ações para os alunos que até agora não foram atendidos? Se forem atendidos, quais as medidas para repor as aulas das quais não puderam participar? Isso não está sendo discutido”, destaca.

O Sinasefe também fez uma denúncia ao Ministério Público Federal (MPF), sobre a qual ainda não obteve resposta. Ajuizou, ainda, uma ação ordinária, com pedido de tutela de urgência, pleiteando a nulidade da Resolução 01/2020 do Conselho Superior do Ifes. Entretanto, o Judiciário negou o pedido de cautela de urgência, o que levou a categoria a deliberar pelo estado de greve.

Ufes no mesmo caminho. Para a presidenta da Adufes, Ana Carolina Galvão, “a Ufes segue os passos infelizes do Ifes”, uma vez que divulgou na noite de 14 de julho que após os Conselhos Superiores (Universitário e de Ensino, Pesquisa e Extensão) tomarem conhecimento da versão final dos planos de Biossegurança e de Contingência, “aprovaram um cronograma que prevê a definição de normas visando à aprovação de resoluções que tratam da oferta de ensino, pesquisa e extensão nas diferentes fases da pandemia”. Para Ana Carolina, há dois problemas nessa divulgação. Primeiro, a finalização dos Planos, sem que isso retorne à comunidade acadêmica para continuidade do debate, como reivindicado por vários setores que se manifestaram na consulta feita aos Centros. O segundo, é a própria afirmação de que ao aprovar o cronograma, os Conselhos tenham aprovado a adesão ao que está nos Planos. “O que foi aprovado foi apenas um cronograma de discussão da proposta apresentada, o que parece ter sido distorcido pela Reitoria para impor um modelo desejado por ela”, destaca Ana.

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Fonte: Adufes

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