Movimentos realizam ato em frente à SEDU, contra o reinício das aulas presenciais

Durante a ação, bonecos foram colocados em frente à Secretaria, simbolizando vítimas da Covid-19. 

Ocorreu na manhã desta sexta-feira, 24, um ato contra a reabertura das escolas em frente ao portão da Secretaria Estadual de Educação (SEDU), na Avenida Cezar Hilal, em Vitória. Na ocasião, também foram homenageadas/os as/os profissionais da educação vítimas da Covid-19 no Espírito Santo. A intervenção fez um alerta à população capixaba pela responsabilidade de Casagrande e Bolsonaro no aumento das mortes pelo novo coronavírus. Os movimentos apontam que pelo menos 15 colegas morreram em decorrência da doença.

Um manifesto contra o retorno das aulas foi protocolado junto à SEDU e traz as principais preocupações das/os trabalhadores e trabalhadoras da educação básica, pais, mães e estudantes, diante das manifestações públicas do Governador Renato Casagrande (PSB) e do secretário de Educação, Vitor de Ângelo, em relação à reabertura das escolas no segundo semestre letivo. No Espírito Santo há cerca de 75 mil casos confirmados de Covid-19 e 2.341 óbitos, afora as subnotificações.

Segundo as/os professores, esta sexta-feira foi escolhida para a realização do protesto por ser o dia no qual o governador irá fazer um novo pronunciamento sobre a reabertura das escolas no Estado. Carolina Franscisco, professora da rede municipal de Vitória e membro do Coletivo Luta Unificada dos Trabalhadores em Educação (Lute-ES), relatou que as trabalhadoras e trabalhadores organizaram a atividade para pressionar o governo por uma política efetiva e radical de quarentena.

“Entendemos não ser possível o retorno das aulas presenciais enquanto a pandemia não for controlada, pois mesmo na hipótese de se adotarem protocolos sanitários rígidos nas escolas, temos que levar em consideração que o número de mortos continua aumentando no ES mesmo com as escolas fechadas”, disse, lembrando que reabrir as escolas vai resultar em uma tragédia ainda maior. Nesse sentido, caso as insuficientes medidas de contenção da pandemia não sejam reformuladas pelo Poder Público, o único caminho, apontou a docente, será voltar às aulas somente quando houver vacina. Junto ao manifesto foi protocolado ofício solicitando uma reunião com o secretário Victor Ângelo.

O grupo também frisou as precárias condições das escolas. “Muitas sequer têm materiais de higiene, o que é impedimento para cumprir de forma rigorosa os protocolos sanitários”, apontou a pedagoga Ivonete Maria da Silva, salientando que os mais prejudicados serão os estudantes e profissionais da educação das periferias. Para ela, é imprescindível reduzir o ritmo de crescimento do número de novos casos, para diminuir o número de mortes. “A manutenção dos índices atuais projeta um cenário que é pior a cada dia. Por isso, a importância de se garantir o isolamento social e o fechamento das escolas”.

O ato foi iniciativa dos coletivos Luta Unificada dos Trabalhadores da Educação do Espírito Santo (Lute/ES), Sindiupes Pela Base e Resistência e Luta Educação, com o apoio da Adufes, Sintufes, Sinasefe e diversas outras entidades. O grupo contou com o apoio do Fórum em Defesa dos Trabalhadores e Trabalhadoras, que reúne cerca de 50 entidades. 

Fonte: Adufes